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Os 10 maiores erros dos personal trainers

O mercado do Fitness está em franca expansão e afirmação, por isso existem cada vez mais Personal Trainers.

Estando o exercício físico intimamente ligado à saúde é imperativo que os profissionais desta área façam o seu percurso lado a lado com a ciência. E, sendo uma profissão relativamente recente no nosso país, é natural que o rigor, o profissionalismo, a ambição coabitem com alguma irreverência, juventude e inexperiência. Se há poucos anos estava associado a algo supérfluo e até um pouco excêntrico, atualmente, a profissão de personal trainer é cada vez mais considerada essencial por parte de quem se preocupa com a sua saúde optando por treinar com um especialista em exercício.

Será do interesse e dever de todos os profissionais refletir, debater, melhorar e contribuir para que se eleve a qualidade do serviço que prestamos. Neste sentido, a PTX divulga os 10 principais erros que considera estarem a ser cometidos atualmente por parte dos Personal Trainers.

1- Pensar que já sabe tudo:

Encarar as nossas aprendizagens como estanques, este é talvez o pior dos nossos defeitos.
A ciência traz-nos constantemente novo conhecimento e temos de ter a capacidade de abandonar crenças antigas e saber integrar o que de novo vai surgindo, obviamente com forte evidência.
Nunca se irá tratar de um “erro” cometer erros diferentes, o maior erro de todos será sermos teimosos o suficiente para continuar a cometer sempre os mesmos.

Ter imensos seguidores nas redes sociais, apresentar uma forma física invejável e uma carteira recheada de clientes, não quer dizer absolutamente nada em relação ao seu sucesso.
Ter muitos seguidores nas redes sociais, apresentar uma forma física invejável e uma carteira recheada de clientes, não quer dizer absolutamente nada em relação ao sucesso dos personal trainers.

2- Não investir na sua formação contínua:

Esta é uma questão fulcral quando se fala em exercício físico, pois a Ciência tem avançado a uma velocidade incrível, colocando em causa muitas das práticas que, infelizmente, ainda se vão vendo. Um profissional que queira marcar uma posição sólida e credível no mercado do fitness, através da sua capacidade para oferecer ao cliente uma experiência de treino verdadeiramente premium, tem obrigatoriamente de investir na sua formação contínua.

Quando falamos em investimento, não tem de ser necessariamente a nível financeiro, pois essa é uma das desculpas mais ouvidas para não realizarem a formação X ou Y. Trata-se sobretudo em investir algum do seu tempo livre no estudo das matérias fundamentais ao desempenho da profissão, como por exemplo: anatomofisiologia, cinesiologia, biomecânica, bioquímica, fisiologia muscular, articular e neural, entre outras.

Outro dos motivos que leva a este desinvestimento na formação tem a ver com o Ego e o sentir-se confortável com a sua situação profissional. O fato dos Personal Trainers terem muitos seguidores nas redes sociais, apresentarem uma forma física invejável e uma carteira recheada de clientes, não quer dizer absolutamente nada em relação ao seu sucesso.

Por sucesso, entenda-se a qualidade com que avalia o aluno e o prepara para o estímulo, cria o exercício de raiz para aquela pessoa e sabe exatamente o que monitorizar, optimizando ao máximo as adaptações periféricas e sistémicas no corpo daquela pessoa. No final de contas quando se fala em treino personalizado, é isto que interessa. Ou não?

3- Limitar-se a contar repetições:

Um erro bastante comum na nossa profissão, tem precisamente a ver com esta questão do contar repetições. Qual é o objetivo do exercício? Alcançar um número ideal? Será que a pessoa necessita de contratar os serviços de alguém que lhe debite exercícios e limite-se a contar quantas repetições fez? O que torna a experiência de treino personalizado valiosa?

Na nossa óptica, durante a execução do exercício é muito mais relevante verbalizar feedbacks/dicas ao aluno do que estar constantemente naquele tom monótono a contar repetições. Pedir à pessoa a velocidade de execução desejada, o controlo e segurança em certas posições articulares, o foco na contração de determinado músculo, são alguns exemplos de feedbacks bem mais valiosos do que simplesmente contar um intervalo de repetições. A avaliação constante também faz parte do processo, os Personal Trainers não necessitam de estar sempre a comunicar, podem simplesmente estarem a observar se existem compensações, se a pessoa manifesta controlo ou se quer acelerar o movimento, se está a atingir um nível de fadiga elevado, etc. e intervirem de forma assertiva quando for necessário.

É preciso mais cuidado na verbalização durante o treino e até este pormenor deve ser personalizado.

Não devemos abdicar de alguns termos mais técnicos, porque é essencial educar as pessoas e faz parte do nosso serviço transmitir-lhes conhecimento, contudo é importante tentar compreender quem temos à nossa frente, adaptando a linguagem sempre que necessário de forma a que a mensagem seja captada.

4- Levar treino prescrito para a sessão de PT:

Este erro é facilmente detetável quando analisamos a terminologia “prescrito”, ou seja, que foi escrito previamente. Se foi escrito previamente como é que pode ser personalizado?

Por muito bem que um personal trainer pense conhecer o seu cliente, uma periodização linear pode não ser uma boa estratégia. Existem inúmeros fatores que podem influenciar a capacidade da pessoa de gerar tensão muscular naquele dia, como por exemplo: dormiu pouco, problemas pessoais, stress, cansaço, não comeu suficientemente, etc.

Ora, se o cliente nos aparece à frente nalguma destas condições ou com alguma queixa que impeça de executar aquilo que tínhamos definido à priori, valerá a pena insistir ou temos de adaptar e personalizar?

Muitos defenderão que levar o plano de treino para a sessão de pt pode ser uma boa estratégia de retenção, porque o cliente regista que nos preocupámos em preparar a sua sessão e ao anotar a carga também vai poder aferir o quanto tem evoluído.

A nós parece-nos precisamente o oposto, pelos motivos já referidos anteriormente e sobretudo porque se queremos personalizar o treino em vez de o padronizar, o momento de avaliação é fundamental e deve ocorrer não apenas no início quando o cliente contrata os nossos serviços, mas sim constantemente.

5- Treino é movimento:

O movimento é claramente um produto visível do treino, mas este não deve servir como último propósito. Daqui deriva que muita da aprendizagem ao longo das nossas carreiras se baseou no movimento, na aprendizagem de novos exercícios.

Não é que tenha sido de todo mau, serviu um propósito em determinada altura, mas a nossa carreira é algo mais que isso e o nosso objetivo é também tornar esta curva de evolução, entre os nossos pares, o mais exponencial possível, para que não tenham que cometer os mesmos erros que já cometemos.

Portanto o movimento deverá ser encarado como um dos resultados daquilo que é o nosso objetivo principal, gerar tensão muscular.

6- Querer transformar os clientes em atletas:

Treinar alguém através de um método/protocolo com vista à performance, como se fosse um atleta, é um aspeto que temos de melhorar rapidamente.
Treinar alguém através de um método/protocolo com vista à performance, como e de um atleta se tratasse, é um aspeto que os Personal Trainers têm de melhorar rapidamente.

Indubitavelmente o fitness inspirou-se no treino desportivo/performance. Contudo parece claro que essa abordagem traz elevados custos para a nossa saúde.

A nosso ver treinar alguém através de um método/protocolo com vista à performance, como e de um atleta se tratasse, é um aspeto que temos de melhorar rapidamente.

As nossas necessidades, em termos de saúde articular e neuromuscular, vão muito além dessa troca desigual entre treino e recompensa.

É necessário a todo o custo perceber que o desporto serve um objetivo diferente que o treino para a pessoa comum. O primeiro a performance, em detrimento de quase tudo, o segundo a saúde com o menor risco possível.

7- Diversão constante:

É um tema que já foi abordado em diversas ocasiões (por nós e outros colegas) e não pretendemos banalizá-lo mas é um aspeto que ainda está muito enraizado no Fitness e achamos que merece alguma reflexão.

Ainda se parte da premissa que o cliente se quer divertir no treino. Com isso, acaba-se por comprometer o tempo útil de treino e o ambiente propício a uma aprendizagem mais efetiva. Entendemos que sem foco e concentração não se tira o real proveito de uma experiência de treino diferenciada.

Boa disposição e capacidade de criar empatia são atributos que podem valorizar um treinador, no entanto, fazer da diversão uma componente constante no treino poderá criar, no mínimo, distração e dispersão.

8- Focar-se quase em exclusivo no peso:

Compreendemos o facto de um cliente/ aluno, numa fase preliminar, se preocupar fundamentalmente em atingir o peso ideal. O que já não nos parece coerente é o treinador cingir-se apenas a esse objetivo. A determinada altura o processo de treino poderá parecer mais um “duelo” em que já não se percebe bem o que é mais importante: se é ensinar os aluno da melhor forma e ajudá-los a atingirem os objetivos de maneira sustentada ou se é a necessidade dos Personal Trainers em se mostrarem e de provarem que são bem sucedidos.

Agora pensemos:
– E se, por razões fisiológicas ou outras questões que o treinador não controla, o objetivo que foi inicialmente delineado não possa ser atingido?
– E quando o cliente atinge esse objetivo?
– Será que o trabalho do treinador se esvazia?
Ou há todo um espectro de progressão inesgotável pela frente?

Entendemos que a complexidade e individualidade do corpo humano nos leva para uma dimensão em que o treino é um desafio e uma aprendizagem constante (para o aluno e treinador) e que, dados os seus benefícios a nível neuro-músculo-articular é fulcral para uma maior qualidade de vida e longevidade.

9- Basear o seu trabalho na nutrição e suplementação:

Sem dúvida que uma alimentação saudável é essencial independentemente do objetivo e nível de treino. O incentivo de um líder nato como um treinador poderá ser importante para que se tomem as melhores escolhas e decisões.

No entanto, os Personal Trainers ao focarem-se demasiado neste aspeto, consumir-lhe-á tempo e energia que seriam essenciais para investir em outras áreas que inevitavelmente poderá acabar por descurar. O saber não ocupa lugar mas da mesma forma que defendemos que um paciente deve ir ao médico quando tem um sintoma; que se deve recorrer a um técnico de exercício físico habilitado quando se pretende treinar num ambiente seguro e eficaz; deveremos também consultar um especialista desta vasta e complexa área para orientar, prescrever e esclarecer no que toca à alimentação.

Entendemos portanto que delegar esta responsabilidade será a solução.

O que o aluno precisa ao nível do treino são tomadas de decisão acertadas, bom senso e razoabilidade.
O que o aluno precisa ao nível do treino, por parte dos Personal Trainers, são boas tomadas de decisão, bom senso e razoabilidade.

10- Dar demasiado ênfase à parte motivacional:

Um pouco de ânimo todos nós precisamos, no treino e…na vida. E sempre que for necessário é bom saber que se pode contar com profissionais habilitados no campo desenvolvimento pessoal e profissional.
Mas no que toca ao treino e à saúde não devemos cair no extremo. Considerações como:
Força! Tu consegues!! Tu és capaz!!! Vai em frente!!!!

Por vezes o corpo não consegue, não é capaz e não deve ir em frente! Cabe ao treinador ver a disponibilidade motora de cada aluno, ajustar, adaptar, alterar, regredir e até mesmo saber parar…

Acima de tudo, o que o aluno precisa ao nível do treino são boas tomadas de decisão, bom senso e razoabilidade, caso contrário poderá desmotivar-se ou, em última instância lesionar-se. Haverá desmotivação maior para o aluno e treinador?

Texto de Tiago Gago, Flávio Faísca e Gonçalo André