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Preparação física no futebol – dentro ou fora do clube? Parte I – Rui Maldini

Nos dias que correm, vemos constantemente opiniões dispares no que diz respeito ao treino e condicionamento físico dos atletas de futebol. Por um lado, temos treinadores/equipas técnicas que querem ter o controlo total de tudo que o atleta faz, mantendo-os assim dentro do processo de treino de campo da modalidade, e o treino complementar que é feito é igualmente controlado pelo clube. Por outro lado, cada vez mais recorrente nos dias de hoje, surge a procura, por parte do atleta, de serviços fora do seu clube. Ora porque a parte do treino complementar, entenda-se o treino das capacidades motoras físicas fora do contexto da modalidade, não é realizada pelo clube, muitas vezes por falta de meios ou então porque na metodologia desenvolvida pelo treinador, este acha que esse tipo de complemento não é necessário.

A procura do mercado aumenta e desta forma surge a necessidade de mais profissionais credíveis atuar na área, vindo assim a profissão de Strength and Conditioning Specialist a aumentar também. O problema acontece quando são impostas regras que por vezes não são cumpridas e desta forma o atleta treina fora do clube porque acha que necessita, mas o clube não sabe. Outra barreira é vermos também treinadores de futebol afirmar que os treinadores particulares fora do clube são até um inimigo, instalando-se assim um clima de desconfiança e insegurança porque o jogador, ou por moda (quero acreditar que não é a maioria) ou porque sente realmente benefício (não só sente como vê melhorias) quer e treina fora do clube.

"todo este processo deve ser claro, sincero, limpo e honesto, tanto pela parte do clube como pela parte dos atletas."
“todo este processo deve ser claro, sincero, limpo e honesto, tanto pela parte do clube como pela parte dos atletas.”

Como resolver e atuar nesta ambiguidade de opiniões? Primeiro há que deixar bem claro que um mau trabalho irá sempre ser um mau trabalho, e uma mentira será sempre uma mentira e por isso, todo este processo deve ser claro, sincero, limpo e honesto, tanto pela parte do clube como pela parte dos atletas. E um mau trabalho seja de que parte for (por exemplo, uma má gestão de cargas e/ou uma acumular de fadiga maior do que o esperado) poderá colocar em risco a integridade do atleta (que a meu ver é a peça mais importante de tudo). Desta forma lanço a pergunta, alguém quer o mal do atleta?! Não, pois não?! Então a falar é que a gente se entende e assim conseguiremos todos sair beneficiados.

Este processo poderá começar de duas formas: ou o clube deixa os atletas à vontade para estes trabalharem fora e tenta posteriormente comunicar com os serviços privados do atleta, ou então os serviços privados, quando o atleta mostra interesse em treinar fora do clube, tentam estreitar a comunicação com o clube para que todo o trabalho seja feito em concordância e em equilíbrio de ambas as partes. De realçar também que no futebol ou em qualquer outra modalidade o MAIS IMPORTANTE E MAIS ESPECÍFICO É PRATICAR A MODALIDADE E A PRIORIDADE É E SERÁ SEMPRE A MODALIDADE, que não restem dúvidas quanto a isso, pois tal como eu já indiquei, aquilo que me refiro como treino das capacidades motoras físicas é um complemento APENAS. Por isso mesmo, se o nosso trabalho puder passar despercebido no meio de uma estrutura, tanto melhor. Apesar de essenciais, na minha perspetiva, não seremos nem queremos ser os protagonistas.

Continua…

Rui Maldini,

  • Professor Assistente Convidado UTAD;
  • Doutorando em Ciências de Desporto UTAD;
  • Pós graduado em Fisiologia do Exercício Clínico, CESPU;
  • Formador Strength and Conditioning Specialist BWIZER®;
  • Personal Trainer City Gym® Guimarães;
  • Preparador Físico Pevidém Sport Clube.