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Percebendo a dor

Embora este tema não seja objeto de intervenção dos profissionais do exercício físico e saúde (personal trainers, treinadores, etc.) é importante que todos percebam o que é a dor e as suas implicações. Entender a forma como o fenómeno da dor se processa é fundamental para fazer melhor escolhas e reduzir consideravelmente a sua manifestação.
Primeiro queremos que entenda que a dor não está no seu cérebro embora este tenha um papel bastante importante na forma como esta persiste.
Quando uma dor perdura por algumas semanas, geralmente relacionada com danos ao nível dos tecidos, podemos considerar que se trata de uma dor aguda, contudo quando esta é recorrente por mais de três meses já a podemos classificar como dor crónica.
Pode parecer um contrassenso, mas sabemos que não necessitamos de uma perna para sentir dor nessa mesma perna, é o que chamamos de “dor do membro fantasma”, contudo necessitamos sempre de um cérebro para sentir dor…
Isto pode implicar que a dor se torne um hábito e como todos os hábitos muitos fatores podem contribuir para que este se mantenha.
Por isso as alterações de como sentimos a dor podem vir de alterações no cérebro e sistema nervoso.
Prova disso é que muitos de nós podemos ter algum tipo de problema, seja ele alguma forma de artrite, protusão, doença degenerativa articular, etc. e não sentimos qualquer dor. Deste modo estragos ao nível dos tecidos ou alguma forma de degeneração não tem obrigatoriamente de originar dor, mas certamente poderão.
Resumindo, perceber e entender a dor é mais complexo do que muitas vezes pensamos.
Isto leva-nos à ideia que, em alguns casos, temos de voltar a treinar o cérebro e a sensitividade do sistema nervoso. Para fazer isso precisamos de saber tudo o que pode afetar o sistema nervoso e eventualmente estar a contribuir para a sua sensação de dor.
Acima falámos que a dor se pode tornar num hábito, isto pode parecer confuso para a maioria, mas se fizermos a analogia com o exercício físico percebemos mais facilmente. Vamos lá, quando treinamos ao final de algum tempo sentimo-nos mais fortes, correto? Em parte, isto deve-se ao facto de o cérebro e sistema nervoso se terem tornando melhores nessas tarefas específicas, o mesmo acontece com a dor.
Agora num sentido mais prático vamos a situações mais concretas que realmente podem nos ser úteis no seu dia-a-dia.
Do ponto de vista clínico, a medicação pode ajudar no controlo da dor, contudo alguns especialistas começam a aludir que abordagens mais ativas farão a grande diferença a longo prazo no treino do cérebro. Desta forma perceber como os nossos pensamentos e sistema emocional estão a contribuir para a dor é um dos passos a tomar.
A dieta e estilo de vida são mais uma das situações a ter em conta, escolhas descuradas podem aumentar, tornar o sistema nervoso mais sensível.
Passe em retrospetiva a sua história de vida, perceber o que estava a fazer na altura em que a dor surgiu é uma informação importante para tomar as decisões mais corretas e estratégicas.
Por fim a atividade física, criar cenários em que possamos realizar algum tipo de movimento sem dor, vai ajudar o cérebro a perceber que não precisa proteger-se através da dor e que é seguro aquele tipo de atividade ajudando-o a melhorar a sua sensação física.
Portanto considerar todos estas situações será um passo importante e uma grande oportunidade para melhorar a sua sensação de dor e começar a trilhar um caminho em que a dor não será um problema.
Este artigo procura esclarecer o fenómeno da dor mas não dispensa a consulta de um profissional habilitado, para avaliar a dor, a fim de obter um diagnóstico mais preciso.
Créditos:
– http://www.hnehealth.nsw.gov.au/Pain/Pages/About.aspx;
– http://www.greglehman.ca/