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Padrões de Movimento vs movimentos isolados

Desde que comecei a trabalhar como preparador físico sempre tive a curiosidade de saber o que é que realmente funciona!

Vivemos na era da informação e podemos ir buscá-la a todo o lado mas nem sempre tudo a que temos acesso tem selo de garantia de qualidade. Como sou um apaixonado pelo rendimento sempre quis saber como se treinava em diferentes países, em diferentes modalidades e porque é que se treinava daquela maneira num sítio e de outra noutro.

A resposta, até hoje ainda não encontrei e ainda bem, porque assim continuo com o mesmo espírito inquieto de continuar a querer saber mais. Ao longo da minha formação fui passando por vários conceitos, como o do treino funcional, o treino isolado, o treino com sobrecargas excêntricas, o treino isométrico, o treino de força de alta intensidade, o VBT (Velocity Based Training), entre outros.

Em cada um destes conceitos existem defensores que acreditam que treinando naquela base é que se conseguem atingir grandes resultados e consequentemente melhorar o rendimento dos jogadores/atletas. A grande mais valia, para mim e para o meu trabalho até hoje, é que nunca fiquei agarrado a nenhum conceito mas tentei sempre retirar o melhor que cada um me poderia dar. Para isso tive e tenho que experimentar, no terreno, técnicas e exercícios e ver/sentir/perceber as respostas dos jogadores.

A grande conclusão a que vou chegando é que todos os conceitos tem o seu espaço e todos eles são importantes para mim e para a minha prática diária. O que muda são os contextos e eu tenho que adaptar-me ( o mais rapidamente possível) para responder a determinado desafio. Vou tentar dar um exemplo prático. Ao longo dos anos fui me apercebendo que fazendo somente exercícios mais complexos como o squat ou o lunge (ditos mais funcionais) me traziam várias vantagens ao nível da melhoria dos níveis de força do trem inferior ( e consequentemente no trabalho de prevenção de lesões).

No entanto, apesar de achar que estava a fazer as coisas bem tive jogadores que apresentavam défices de força, desconforto em músculos do trem inferior! Percebi que para estimular determinados músculos, determinadas fibras, tinha que recorrer a exercícios mais isolados (como um leg extension ou uma resistência manual para um flexor da coxa) para conseguir um output diferente. O mesmo se passa ao contrário.

Em contextos de reabilitação com jogadores que vêm de lesão, às vezes, ficamos muito focados na área que ficou lesionada tentando que essa fique o mais forte e resiliente possível e muitas das vezes recorremos a exercícios mais isolados e parece que as estruturas já estão operacionais. Frequentemente, quando adicionamos um exercício multi-articular que envolve uma coordenação neuromuscular mais complexa sentimos que o jogador ainda não está preparado para uma fase mais avançada! Este é só um exemplo para demonstrar que na minha experiência prática com jogadores, tenho constantemente que recorrer a diferentes “conceitos” de treino para ir ao encontro às necessidades de determinado corpo/desafio.

Um jogador de futebol por exemplo está sujeito a muitas agressões como stress mecânico, impactos e isso provoca dores e inibições musculares que muitas vezes só se conseguem activar com exercícios específicos como uma isometria ou um excêntrico de baixa intensidade para tentar voltar a melhorar a capacidade contráctil daquele músculo específico. Isto, na minha perspectiva, é muito importante para evitar desequilíbrios e disfunções musculares, uma vez que sabemos que o nosso cérebro é perito em arranjar compensações para conseguir continuar a executar movimento.

É por esta razão que considero que fundamental aproveitar os benefícios dos “dois mundos”. O grande desafio no meu dia-a-dia  é tentar discernir aquilo que eu mais gosto de fazer, aquilo que os jogadores mais gostam de fazer e dar-lhes efectivamente o que eles precisam!

Fight and Win

João Lapa

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