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Entrevista do Dr Telmo Sacramento à PTX

Dr Telmo Sacramentento, 38 anos, médico de ortopedia e traumatologia com sub especialidade em joelho, praticante regular de desporto como ténis, corrida, cycling e treino de força, fala sobre as principais lesões que tiram qualidade de vida à população em geral e afetam o desempenho desportivo a uma grande parte dos praticantes. Recomenda ainda uma melhor a comunicação entre os profissionais de saúde e os do exercício.

Quais as principais queixas ou patologias dos seus pacientes ?

“As queixas dos pacientes diferem tendo em consideração a sua faixa etária. Podemos de uma forma resumida agrupar, falando apenas no adulto, em 3 grandes grupos:
20-40 anos de idade – prevalecem as patologias dos tecidos moles, nomeadamente lesões musculotendinosas muitas vezes provocadas por atividades mal orientadas ou por hipersolicitação (gestos repetitivos quer na prática desportiva ou atividade laboral)
40-60 anos de idade – existe uma sobreposição dependente do estilo de vida de cada um podendo surgir simultaneamente as mesmas patologias do escalão anterior com patologia articular degenerativa (o início das queixas da artrose surgem nesta faixa etária)
superior 60 anos de idade – torna-se mais presente a patologia articular degenerativa que muitas vezes acarreta consigo processos inflamatórios como por exemplo: artrose do joelho num joelho com desvio varo e tendinite da pata de ganso.”

Considera o treino de força orientado poderia ser importante nesses casos?

“Considero que o treino de força orientado pode desempenhar um papel fundamental em todos os escalões referidos anteriormente. No escalão mais jovem no tratamento e prevenção de lesões e nos escalões mais avançados como complemento de outras medidas terapêuticas. Acredito que o treino de força, recordando por exemplo o trabalho de força de forma excêntrica, desempenha um papel fundamental na melhoria das queixas insercionais (tendinites insercionais) tal como o treino de força com carga no sentido anti gravitacional ajuda na melhoria postural do nosso tronco.”

Qual o caso clínico que acompanhou em que o exercício físico orientado tenha tido um papel determinante antes de uma intervenção cirúrgica ou na fase de reabilitação?

“São muitos os casos em que a prática de exercício ajudou na resolução de uma patologia. Não consigo enumerar todos eles nem concretizar nenhum em especial, mas a título de exemplo o treino orientado na recuperação de uma ligamentoplastia do LCA do joelho é fundamental tal como, no pré-operatório de uma cirurgia deste tipo seja fundamental ter um arco de mobilidade completo e uma massa muscular adequada pois é conhecido que no período pós-operatório vai ocorrer uma inevitável atrofia muscular por desuso e uma rigidez articular.”

Como profissional de saúde como vê o crescimento do número de ginásios e o aumento do número de praticantes de atividade física?

“Como profissional de saúde agrada-me o facto de cada vez mais a população querer ser mais activa: “vida activa”. Contudo receio que uma prática de exercício mal orientada possa deixar de ser benéfica passando a prejudicial. Assim, para quem não tem qualquer conhecimento ou experiência na prática de exercício físico, recomendo que não inicie sem um devido acompanhamento ou então que realize atividades que por si só sejam menos exigentes, como por exemplo, caminhadas.”

Como analisa a comunicação ou a “ponte” entre o profissional de saúde e o profissional do exercício no acompanhamento dos pacientes que necessitam de atividade física orientada?

“Na minha opinião, a comunicação entre os profissionais não é a mais adequada. O veículo utilizado ainda continua a ser “a carta” que muitas das vezes peca por escassez de informação e falta de feedback de parte a parte. Acho que deve e pode ser melhorada sabendo de antemão que a presença dos 3 elementos em simultâneo (profissionais e doente), apesar de ser o ideal, nem sempre ser possível de realizar. Ainda assim penso que devemos insistir e tentar melhorar a comunicação existente por forma a obter os melhores resultados possíveis.”