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Corra sem lesões (2.ª parte)

No último artigo clarificamos os conceitos de pronação e supinação. Tentamos demonstrar como estes dois conceitos coexistem na nossa passada, independentemente de pensarmos que temos uma passada puramente “pronada ou supinada”.

Sabemos também que todas as articulações estão interrelacionadas na medida que todos os movimentos assentam nos conceitos acima descritos (“pronação” e “supinação”).

Daqui compreendemos a importância de incluirmos um treino mais específico para o complexo do pé e tornozelo visto que terá grande influência no que acontece superiormente no seguimento da “cadeia articular”.

Qualquer perda de função ao nível da musculatura do pé e tornozelo irá afetar a absorção do impacto durante a corrida, analogamente é como um carro sem amortecedores, quanto maior o impacto maior desgaste será o carro sujeito, o mesmo acontece no nosso corpo. Ou seja, uma ineficiência neste local, pé/tornozelo, pode manifestar-se num sintoma ao nível do joelho ou anca, etc., não porque existe uma causa localizada nessas estruturas, mas porque estão a ser supersolicitadas pois existe um compromisso ao nível da musculatura inferior.

Em específico no pé e tornozelo, como também na maioria das outras articulações, os eixos são oblíquos, isto significa que os movimentos vão-se aproximar dos planos cardinais. Deste modo os conceitos de pronação e supinação são termos utilizados para nos referirmos a um conjunto de movimentos, são eles flexão dorsal/plantar; eversão/inversão; abdução/adução.

Perceber a complexidade desta estrutura e função vai-nos ajudar a criar desafios para cada um dos movimentos acima descritos. Assim, na maioria dos processos de treino, deveríamos contemplar exercícios/desafios para cada um dos movimentos a fim de dotarmos este complexo de uma estabilidade “à prova de bala” que se possa repercutir numa corrida sem dificuldades e desconfortos.

Continuação de bons treinos.

Referências:
– Levangie, P. K., & Norkin, C. C. (2005). Joint structure and function: A comprehensive analysis. Philadelphia, PA: F.A. Davis Co.
– Valmassy, R. (1996). Clinical Biomechanics of the Lower Extremities. Mosby-Year Book; 1st edition.
– Human Anatomy Atlas (https://www.visiblebody.com/).