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Tiago Sousa

Comunicação e multidisciplinaridade: A falácia dos Tempos Modernos

Nós não nascemos humanos, nós tornamo-nos humanos” foi uma frase dita por Joseph Campbell, autor do século XX. Uma frase tão simples, mas de uma profundidade imensa. É incrível perceber que só nos tornamos humanos quando contactamos com outros da mesma espécie, isto faz de nós uma página em branco que é escrita durante anos através da interação com o meio.


Quem diria que para nos tornarmos humanos necessitaríamos de outros? Incrível não?

Por incrível que nos pareça o raciocínio é o que nos distingue das outras espécies, somos animais racionais. Não é o que dizem?

O que me traz aqui hoje é exatamente isso, a (ir)racionalidade que nos caracteriza. Todos já ouvimos a palavra multidisciplinaridade e alguns de vós até já disseram a célebre frase “sozinhos vamos mais rápido, mas acompanhados vamos mais longe” e eu não discordo. No entanto, se pararmos para pensar parece que a sociedade nos engaveta com rótulos, quase como nos juntando com os nossos colegas de profissão e afastando-nos de outras áreas. Porque afinal é assim que tem que ser! Não é?


Parece-me redutor dizer que o médico apenas percebe da doença, o fisioterapeuta da lesão e o profissional do exercício de exercício. Não terá o profissional do exercício um papel ativo sobre a lesão e a doença? Não poderá ser o fisioterapeuta um agente ativo antes, durante e após a doença? E os médicos não poderão ser excelentes facilitadores da prática desportiva que por sua vez terá influência sobre a lesão?


Este foi apenas um exemplo de como, se calhar, nós não estamos tão afastados uns dos outros, aliás não deveríamos estar porque temos um objetivo em comum – Ajudar Pessoas.


Compete-nos mudar mentalidades e paradigmas que não beneficiam a nossa sociedade. Ao contrário do que possa parecer ganharemos todos. Porque teremos uma sociedade mais informada e mais culta, mais do que prestar um serviço, educar é a nossa derradeira arma. Uma população informada fará escolhas mais conscientes.

Multidisplinaridade: Mais do que prestar um serviço, educar é a nossa derradeira arma. Uma população informada fará escolhas mais conscientes.
Mais do que prestar um serviço, educar é a nossa derradeira arma. Uma população informada fará escolhas mais conscientes.

Porque afinal os clientes não são exclusivamente meus, não são do Fisioterapeuta nem do médico. O nosso trabalho passa por ajudar e em último caso não prejudicar. Sim, não prejudicar quem confiou em nós, nem prejudicar os nossos colegas que no fim do dia só querem o mesmo que nós, que é ajudar.

Julgo que um dos pontos chave para o sucesso na nossa carreira enquanto profissionais desta área é a autoconsciência. A capacidade de se avaliar, de pensar, de melhorar, de se criticar… Temos que conquistar esta característica se quisermos ser melhores. Felizmente há cada vez mais colegas que, gradualmente, percebem que não devemos apontar dedos uns aos outros e entrar em despiques sobre se somos fisiologistas do exercício, personal trainers ou técnicos de exercício e que canalizam o seu foco para o bem comum:

– Mais e melhor saúde para todos.

Se brigarmos por nomenclaturas que direito temos nós de exigir respeito pela nossa área?
É importante organizarmo-nos e “limpar a casa”. Não podemos querer sensibilizar outras classes profissionais ou a população da falta de reconhecimento se depois criticarmos publicamente colegas de profissão Concordo que precisamos estabelecer standards de qualidade, que é preciso “separar o trigo do joio”, mas façamo-lo internamente. Sabem porquê? Porque o maior especialista em biomecânica, poderá não ter competências em nutrição ou em fisiologia e vice-versa.


Se as pessoas perceberem que estamos a trabalhar com um objetivo comum, não ficaremos todos a ganhar? Não haverá menos desconfiança e maior reconhecimento pela nossa área?
É preciso tirar os olhos do umbigo e perceber que trabalhamos com pessoas e trabalhamos para as pessoas, que por sinal são seres em constante evolução e o que hoje é verdade amanhã poderá não ser. Portanto, raramente existirão verdades absolutas, logo nunca ninguém estará cem por cento certo.

Concluindo, acredito que não existe o personal trainer perfeito, pois sabemos que um dos princípios de treino é o da individualidade biológica e como tal o maior “crânio” em cinesiologia poderá não ser o melhor personal trainer para toda a gente. Trabalhamos com seres humanos, não com ciências exatas. Julgo que muitas das “guerras” que existem partem da dificuldade em respeitar a diferença. Autoconsciência, humildade, humanidade, compreensão e ética são algumas das características que julgo serem fundamentais na nossa área e na vida. Devemos ser um puzzle em que as peças se encaixam para formar uma bonita imagem e não um conjunto de peças guardadas numa caixa.

“Communication is power” Tony Robbins”

Tiago Sousa, diretor técnico crossfit fnc.
Fundador Sunyata outdoor training e box lab e preparador físico CAB Madeira.

Exos performance specialist, advanced nutritionist barça universitas, pós graduado em sports performance.