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tricípete "kickback"

Análise biomecânica do tricípete “kickback”

Para hoje reservamos a análise de um exercício que nos parece ser cada vez menos frequente nos nosso ginásios – tricípete kickback.

Muito provavelmente porque o perfil de resistência invertido torna-o bastante difícil de realizar, logo impossibilita a utilização de cargas elevadas especialmente na parte final, onde o desafio é bastante grande.

Mas vamos lá dissecar o exercício e analisar o que está a acontecer. Primeiro temos de perceber que para a grande maioria o objectivo é essencialmente desafiar a musculatura do tricípete braquial.

Tricípete Braquial - Fonte Ken Hub
Tricípete Braquial – Fonte Ken Hub

Este grande músculo, da parte posterior do braço, é composto por três porções, a longa, bi-articular porque atravessa a articulação do ombro e cotovelo, e a porção lateral e medial, estas últimas só atravessam o cotovelo.

Na posição inicial, imagem da esquerda, percebemos que para o cotovelo o desafio é inexistente, a linha de acção da força passa por esta articulação logo não cria torque – BM2 (força para rotação) sobre a mesma.

Análise biomecânica do tricípete kickback
Análise biomecânica do tricípete kickback

Contudo há que  considerar um braço de momento (BM) para o ombro que está sempre presente e que aumenta dramaticamente à medida que estendemos o cotovelo. Por isso os extensores do ombro vão estar sempre presentes e especialmente no caso da longa porção do tricípete o desafio vai ser enorme na fase final, imagem da direita.

Fisiologicamente a nossa capacidade de produção de tensão diminui na posição de maior encurtamento da musculatura e neste exercício em particular a exigência aumenta nessa mesma posição, por isso mesmo nunca será possível acomodar uma carga adequada a toda a amplitude articular do exercício. Significa que não vamos ter um desafio em toda a amplitude de movimento do exercício.

E das duas umas: ou escolhemos uma carga que seja interessante para a parte final e nada mais… ou teremos de jogar com a inércia, se aumentarmos a carga, e perde-se novamente oportunidade de realizar uma boa estimulação da musculatura.

Assim, sem descartar o exercício, resta-nos dizer que existem melhores opções que podem na mesma medida estimular a musculatura em questão elevando consequentemente o prato da balança do benefícios e diminuindo reciprocamente o prato da balança dos riscos.

Continuação de bons treinos.

Adaptado de: RTS (Resistance Training Specialist) – Tom Purvis.