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A importância da otimização sensorial do corpo para o treino e reabilitação

Estivemos à conversa com Rui Reis sobre treino e reabilitação.

O Rui trabalha como personal trainer e consultor de biomecânica. É especialista em reabilitação de lesões, desempenho corporal, força e treino físico. Investiu muito a estudar e a aplicar métodos inovadores nos últimos 10 anos na área do treino físico. Está atualmente sediado em Londres onde desenvolveu a sua própria empresa, Oitoo.

Rui Reis
Rui Reis fala sobre a importância da otimização sensorial do corpo para o treino e reabilitação

Disponibilizamos um resumo daquilo que achamos mais relevante da nossa conversa em jeito de artigo.

“Quantas vezes fez um exercício e mais tarde veio a descobrir que o objetivo do mesmo era totalmente diferente de como o executou? Pergunta a si mesmo se haverá uma maneira mais rápida de alcançar os seus objetivos? Neste pequeno artigo vou explorar como é que a perceção sensorial o poderá ajudar nestas ocasiões. 

Quando vamos ao ginásio, embora tenhamos a consciência que estamos a treinar o sistema muscular, não nos podemos esquecer que é o sistema nervoso que controla o nosso organismo, incluído a contração muscular. Com este conceito em mente, pergunto: será possível envolver mais o sistema nervoso para otimizar os resultados do treino ou ter uma maior perceção se estamos a executar corretamente os exercícios? A resposta é sim.

Para melhorarmos o sistema muscular, o cérebro e todas as conexões neurológicas têm que se adaptar primeiro. Para isso é crucial que estejamos atentos e concentrados durante a execução de movimentos.

É sabido também que tarefas que requeiram uma maior precisão estimulam mais a passagem de informação cérebro-músculo.

Segundo estudos só pelo facto de visualizarmos um movimento e as variáveis que esse acarreta (imagery training), podemos aumentar até 20% a nossa força. Esta técnica é muito usada no desporto de alta competição com o objetivo de efetuar a técnica do movimento da forma mais perfeita possível. É também usada em reabilitação quando qualquer movimento causa dor, mas é necessário melhorar a força do indivíduo.

Outros estudos mostram também que quando efetuamos um movimento, se nos concentrarmos no músculo desejado há uma maior ativação neuromuscular. Por exemplo, quando efetuar uma flexão de braço (cotovelo) concentre-se no bicípite. Tente manter esse músculo sempre contraído durante todo o movimento. O recrutamento muscular e a atenção que está a ter durante o exercício irá criar um desafio muito maior do que o normal.

Esta técnica também pode ser usada para executar qualquer exercício com uma melhor técnica visto que ao criar mais atenção durante o exercício irá notar que músculos estão a trabalhar mais e este é o objetivo do exercício. Por exemplo, se estiver a fazer um exercício para o grande dorsal (lat pulldown) e o objetivo é treinar esse músculo mas sente mais o bicípite/braço a trabalhar já sabe que a técnica não é correta. 

Resumo de como otimizar o seu treino:

  1. Execute o aquecimento de uma maneira precisa e concentrada (idealmente envolvendo as articulações que vai utilizar);
  2. Saiba qual o objetivo do exercício;
  3. Visualize o movimento;
  4. Concentre-se no músculo desejado e tente manter a contração muscular durante todo o movimento;
  5. Corrija o movimento ou o foco da atenção se necessário.”

Esperamos que esta informação tenha sido o suficientemente pertinente para fazer ressoar em cada um de vocês a necessidade de conhecer e interpretar todos estes fenómenos abordados.