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5 aspetos a melhorar na área do exercício e saúde durante a Pandemia

5 aspetos a melhorar na área do exercício durante a Pandemia

Na ânsia de se manter uma dinâmica que permita não perder clientes e eventualmente captar novos públicos-alvo, temos assistido a algumas práticas potencialmente perigosas e que, na nossa opinião poderão ser repensadas e melhoradas por parte dos vários intervenientes na área do exercício.

1- NÃO ASSUMIR UMA POSTURA PEDAGÓGICA:

Como profissionais do exercício, treinadores e acima de tudo professores, devemos assumir uma postura mais pedagógica. Se educarmos, oferecendo conteúdo válido, útil, acessível e honesto, elevamos não só o nível da nossa profissão como ainda tornamos os nossos alunos mais conscientes e exigentes. Desta forma, para além de cuidarmos de quem nos confia a sua saúde, estamos a garantir, de forma natural, a sobrevivência da nossa classe no futuro sem receio de que profissionais de outras áreas se intrometam no trabalho que nos compete por dever e direito.

Se fizermos o nosso trabalho (mesmo com todos os constragimentos que vivemos actualmente) e comunicarmos de forma credível e com intuito de ajudar a população, a quem essas pessoas irão recorrer durante e pós-Covid? A nós, certamente!

2- SEGUIR “À RISCA” AS ORIENTAÇÕES DE QUEM NÃO É DA ÁREA DO EXERCÍCIO:

O que à partida pode parecer uma boa estratégia ao nível da gestão/ marketing pode não fazer sentido ao nível do exercício e saúde. A nós, profissionais da área, compete-nos pensar sobre as ideias que nos são sugeridas e, se necessário, questioná-las, reformulá-las e ligá-las com o devido conhecimento que resulta do nosso estudo e prática.

De forma alguma estamos a desincentivar o trabalho em equipa e multidisciplinar, antes pelo contrário, desejamos que todo e qualquer contributo de áreas complementares seja ainda mais válido e seguro. Mas, deve ser quem mais conhece o corpo humano que deve primeiramente executar e ter palavra final no que toca a iniciativas que fomentem a prática de exercício tendo em vista a dinamização do sector, seja nesta ou em qualquer outra fase.

É com grande apreensão que verificamos que diariamente são promovidas iniciativas/desafios e divulgadas aulas ou exercícios bastante desajustados a quem possa estar a aderir aos mesmos.

Fazer o que todos os outros fazem é castrador e simplesmente limita-nos na nossa própria potencialidade
Seguir o que todos os outros fazem é castrador e simplesmente limita-nos na nossa própria potencialidade

3 – “SEGUIR OS SEGUIDORES”:

– ultimamente os “influencers” têm estado em evidência e, por vezes, falam do que não sabem, por iniciativa própria, ou porque são pagos para o fazer.

Assim, seguir o que os outros fazem é um erro comum na nossa sociedade. Esta ideia já foi descrita pela história do joalheiro que todos os dias reparava num senhor, que passava em frente à sua loja e retirava o seu relógio de bolso, acertando-o de acordo com o relógio da loja. Um dia, intrigado, o joalheiro interpelou o senhor e decidiu perguntar porque acertava o seu relógio com o relógio da loja! O senhor respondeu que trabalhava na fábrica e que todos os dias, ao meio-dia, tocava a sirene para terminar o período da manhã de trabalho. O joalheiro de forma surpreendida retorquiu que nos últimos anos sempre acertou aquele relógio pela sirene da fábrica, que tocava ao meio-dia.

Este jogo de seguir o que todos os outros fazem é castrador e simplesmente limita-nos na nossa própria potencialidade. Aproveitemos então para refletir sobre a nossa atividade profissional e criar novas formas de entregar o exercício, sem dúvida, mas com critério.

4 – A NECESSIDADE DE FAZER “SUAR” PARECE QUE FOI NOVAMENTE O BARÓMETRO PARA A QUALIDADE NO TREINO:

O conhecimento já evolui da famosa frase “sweat is fat leaving your body” ou “no pain, no gain”… e embora nos possamos sentir tentados a querer entregar uma experiência de treino “intensa” essa está longe do objetivo e apenas desequilibrou a balança do risco/benefício para o lado dos riscos.
Uma sugestão seria fornecermos atividades moderadas, que não sejam sempre “um lançar da moeda ao ar” e que possam servir para introduzir ou melhorar novas formas de estimulação. Os nossos corpos agradecerão.

São muitas as pessoas que sofrem de uma ou mais incapacidades e que pelas suas necessidades e motivações requerem cuidados redobrados no que toca à prática de exercício.
São inúmeras as pessoas que sofrem de uma ou mais incapacidades e que pelas suas necessidades e motivações requerem cuidados redobrados no que toca à prática de exercício.

5- ESQUECER-SE DE QUEM NÃO PODE TREINAR EM SEGURANÇA DE FORMA AUTÓNOMA:

Nunca podemos esquecer que a maioria da população nunca praticou exercício. Logo, não será agora, num contexto de isolamento, que poderá praticar exercício sem qualquer acompanhamento.

Não nos esqueçamos também de quem padece de doenças crónicas, síndromes ou patologias e que o exercício funciona como um “autêntico” seguro de saúde ou como uma terapia medicamentosa. São inúmeras as pessoas que sofrem de uma ou mais incapacidades e que pelas suas necessidades e motivações requerem cuidados redobrados de profissionais com formação especializada e comprometidos em aprofundar o seu conhecimento. Não nos esqueçamos portanto das populações especiais com determinados problemas como:

-problemas do foro respiratório (como a asma), problemas metabólicos (nomeadamente a diabetes e a obesidade), problemas músculo-esqueléticos (como é o caso da Sarcopénia, osteoporose ou a osteo-artrite), problemas neuromusculares (esclerose múltipla, doença de Parkinson, etc.), e problemas cardiovasculares (doenças cardiovasculares e hipertensão), entre outros.

Nesta fase de isolamento tentemos chegar ao máximo de pessoas possível mas com respeito e consciência. Com a humildade de reconhecer de que talvez não se consiga trabalhar de uma forma tão individualizada e pormenorizada, nem com a mesma capacidade de encontrar soluções de acordo com a disponibilidade da pessoa naquele preciso momento mas tendo também presente que nunca se conseguem prever todas as dificuldades e circunstâncias num treino. O corpo humano é complexo, o exercício nunca poderá ser visto como uma receita e este só faz bem se for bem feito.

PS: Não caiamos nunca na tentação e negligência de achar que as lesões se devem apenas ao que se fez num determinado momento ou dia anterior em que é associada uma dor ou incapacidade. Por vezes uma lesão deve-se a erros cometidos semanas ou até meses anteriores ao dito episódio. Esta fase de isolamento pode ter efeitos colaterais…Saibamos cuidar!

Texto de Gonçalo André e Tiago Gago