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Como prevenir lesões no Padel e melhorar a performance

O Padel é uma modalidade em franca expansão. O facto de ser um desporto de raquete jogado com a interacção das paredes, garante que a bola esteja mais tempo em jogo, faz com que haja uma forte componente tática e confere uma grande emoção a cada ponto. Por ser jogado a pares, há uma interessante vertente social e eleva os índices de motivação em relação a outros desportos de raquete. Por isso, é dito que rapidamente este desporto passa a ser um saudável vício. Os praticantes são naturalmente tentados a aumentarem a frequência das partidas, vão melhorando o nível e consequentemente a intensidade do jogo. Os deslocamentos e o número de pancadas por ponto vão aumentando a cada sessão.

Como personal trainers, antes de falarmos em treino de preparação física complementar à modalidade, queremos partir do princípio que a técnica correta está consolidada (pressuposto fundamental para que tenha longevidade nesta modalidade) e que o praticante joga com o equipamento adequado (nomeadamente o tipo de raquete e tamanho do grip, devendo sempre seguir os conselhos do seu professor). No entanto, quando não há uma condição física adequada para assegurar esta regularidade e este volume de treino, surgem enumeras vezes as denominadas lesões de sobrecarga. As mais comuns ocorrem a nível dos ombros, cotovelos, punhos, coluna lombar, joelho e pé.

Como é possível constatar pela diversidade de lesões que podem ocorrer, as pancadas do Padel implicam todo o corpo. Portanto, é necessário que o programa de treino tenha isso em conta. Seria bom poder aplicar um género de “receita” de modo a que todos os praticantes estivessem salvaguardados, contudo, o treino de preparação física deverá ter em conta as características neuro-músculo-articulares, as capacidades e nível de jogo de cada um.
Apesar de ser sempre necessário uma abordagem individualizada e de não dispensar uma avaliação( ler o artigo sobre avaliação http://ptxexcellence.com/pt/processo-de-avaliacao-na-ptx/) , há alguns aspetos gerais que devem ser tidos em conta na altura de implementar um programa de preparação física desta modalidade.
Como vimos, as lesões acontecem em zonas específicas da estrutura do atleta, por isso o treino deve contemplar a solicitação dos músculos que protegem essas mesmas zonas/ articulações.


Como tal, em vez de se recriarem os gestos/ movimentos do padel no ginásio, como recorrentemente assistimos, faz sentido treinarem-se os músculos solicitados de forma mais isolada/ analítica (ler artigo sobre exercícios analíticoshttp://ptxexcellence.com/pt/o-que-e-mais-funcional-o-mais-global-ou-o-mais-analitico/ ).


Do mesmo modo que, quando se pretende evitar um entorse no tornozelo, em vez de se treinar a musculatura de uma forma global num ambiente mais exigente e instável (como por exemplo numa transição de um apoio de um pé para outro numa plataforma como mostra a imagem acima), será mais benéfico treinar os músculos específicos que cruzam o tornozelo numa máquina guiada ou num cabo, nomeadamente o tibial anterior, gémeos, solear entre outros…


Pois, se o atleta prestar a máxima a atenção no seu próprio corpo e no respetivo movimento visualizando os músculos alvo, “conscientemente irá dirigir um comando neural para esses músculos específicos durante a execução de um exercício”. Esta visualização tem o nome de “foco interno” e vai permitir um melhor desempenho nos exercícios correctivos/ reforço no ginásio e garantirá ao atleta uma maior e melhor atividade muscular, um maior controlo e consequentemente uma melhor movimentação no campo.


Ao invés, se houver uma interferência nesse foco, como desempenhar várias tarefas em simultâneo, ou uma tarefa mais exigente ou complexa do que a capacidade do atleta, essas “perturbações” irão condicionar essa aprendizagem de uma determinada habilidade. Por exemplo, exagerando um pouco no número de variáveis, ao instruir um jogador para simular algumas esquerdas com um peso de 5 kg,de olhos vendados, apoiado apenas num pé numa plataforma instável, e em seguida efectuar uns zigue-zagues com a oposição de um elástico forte poderá parecer desafiante e conferir uma maior disponibilidade física quando estiver no campo sem estes constrangimentos. Porém, ao contrário do que podia acontecer caso tivessem sido escolhidas menos variáveis em simultâneo, a atenção no objetivo final, ou seja, superar este conjunto de desafios, poderá sobrepor-se à aprendizagem dos gestos em causa e irá influenciar a “precisão, a consistência, o equilíbrio do movimento e a produção de força”.


Assim sendo, aconselhamos o treino mais focalizado possível (treinar músculos e não movimentos) num ambiente de ginásio para melhorar a força e garantir a saúde neuro músculo articular. Evite portanto o “treino de simulação” dos gestos da modalidade com carga adicional ou em ambientes adversos no ginásio pois “poderão deteriorar a técnica”.
Já os gestos técnicos e os deslocamentos, dada a sua especificidade, deverão ser treinados no campo de Padel e supervisionados por um professor experiente que adeque os exercícios à sua capacidade e margem de progressão.


Tenha em mente que as pancadas do Padel, tal como os gestos técnicos de outras modalidades “são habilidades motoras altamente específicas e devem ser praticadas exactamente como em competição”.
Para concluir, perceba que “a força é geral e contribui para qualquer actividade”. De forma simplista, ganhe força no ginásio e aprenda a aplicar essa força no campo praticando bastante…e bem. Bons treinos!

Adaptado do manual do curso MTF Engage da EXS, Pedro Asseiceira e Hugo Moniz 2018

Texto de Gonçalo André